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Psicólogo pode fazer marketing? O que diz o Código de Ética

Pode, e deve, se quiser ser encontrado. O Código de Ética não proíbe a divulgação: ele define como fazer. Veja as regras na prática, com o que pode e o que não pode.

Por Henrique Silva8 de outubro de 20266 min de leitura
Resposta curta

Sim. O psicólogo pode divulgar o seu trabalho na internet, em site, Google, Doctoralia e redes sociais. O artigo 20 do Código de Ética pede nome completo e CRP em toda divulgação e proíbe preço como propaganda, promessa de resultado, autopromoção em detrimento de colegas e sensacionalismo.

"Tenho receio de me divulgar, parece antiético." É a frase que eu mais escuto quando converso com psicólogos sobre presença digital. E faz sentido: a psicologia lida com sofrimento, e ninguém quer parecer que está "vendendo" terapia.

Só que existe uma diferença grande entre fazer propaganda e tornar o seu trabalho encontrável. Quem procura terapia pesquisa no Google, compara perfis e lê sobre a abordagem antes de mandar a primeira mensagem. Se você não aparece com clareza, essa pessoa não deixa de procurar ajuda: ela só encontra outro nome.

O que o Código de Ética diz sobre divulgação

As regras estão no artigo 20 do Código de Ética Profissional do Psicólogo (Resolução CFP nº 10/2005). Ele vale para qualquer meio de divulgação, individual ou coletiva: site, cartão, Instagram, perfil no Google, anúncio.

Em resumo, ao divulgar os seus serviços, o psicólogo:

  1. Informa o nome completo e o número do CRP.
  2. Cita só títulos e qualificações que realmente tem.
  3. Divulga só técnicas e práticas reconhecidas ou regulamentadas pela profissão.
  4. Não usa o preço como forma de propaganda.
  5. Não faz previsão taxativa de resultados.
  6. Não se promove em detrimento de outros profissionais.
  7. Não propõe atividades privativas de outras profissões.
  8. Não faz divulgação sensacionalista.

Repare que nenhuma dessas regras diz "não divulgue". Todas dizem como divulgar.

Na prática: pode ou não pode?

SituaçãoPode?Por quê
Ter um site com a sua formação, abordagem e público atendidoSimÉ informação profissional, com nome completo e CRP visíveis
Aparecer no Google Maps e no DoctoraliaSimSão meios de divulgação como qualquer outro
"Primeira sessão grátis" ou "sessões a partir de R$ 50" em destaqueNãoÉ o preço usado como propaganda
Informar o valor da sessão numa página de perguntas frequentesCom cuidadoO valor pode aparecer como informação, nunca como chamariz
"Supere a ansiedade em 8 sessões"NãoPrevisão taxativa de resultado
"Atendo adultos com ansiedade, com Terapia Cognitivo-Comportamental"SimDescreve público e abordagem, sem prometer resultado
"A melhor psicóloga de Brasília"NãoAutopromoção em detrimento de colegas
"Especialista em…" sem ter o títuloNãoSó vale citar títulos que você realmente tem
Conteúdo educativo sobre saúde mental no blog ou no InstagramSimDesde que sem sensacionalismo e sem expor pacientes

E os depoimentos de pacientes?

Aqui mora a dúvida mais comum. A orientação do CFP sobre o uso profissional das redes sociais (Nota Técnica CFP nº 1/2022) não recomenda o uso de depoimentos, e, se usados, exige consentimento por escrito.

O motivo é simples: um depoimento revela que aquela pessoa é ou foi sua paciente, e isso toca no sigilo profissional. Por isso, no trabalho que eu faço com consultórios, a regra é não usar depoimentos. A confiança vem de outros lugares: uma apresentação clara, a sua formação, a explicação de como funciona a primeira conversa e as avaliações públicas do Google.

Cuidado com as respostas às avaliações do Google. Responder "Obrigada por confiar no meu atendimento, foi um prazer acompanhar o seu processo" confirma publicamente que a pessoa é sua paciente. Prefira respostas neutras, como "Obrigada pela avaliação."

E o atendimento online?

Desde a Resolução CFP nº 9/2024, em vigor desde agosto de 2024, não existe mais o cadastro no e-Psi. Para atender online, basta ter a inscrição ativa no CRP. Você pode, e deve, explicar no seu site que atende online: muita gente procura justamente essa opção.

Como divulgar com ética: um checklist

Divulgar bem é cuidar de quem procura ajuda

Uma pessoa que decide começar terapia, muitas vezes depois de adiar por meses, precisa encontrar alguém e sentir segurança para mandar a primeira mensagem. Um site claro, um perfil completo no Google e uma apresentação honesta não são "marketing agressivo": são uma forma de facilitar esse primeiro passo.

O que o Código de Ética pede é que essa divulgação seja verdadeira, sóbria e respeitosa. Dentro dessas regras, há muito espaço para você ser encontrado pelo paciente que mais combina com o seu trabalho.

Quer saber se a sua divulgação está dentro das regras?

No diagnóstico gratuito, eu analiso o seu site, o seu perfil no Google e o Doctoralia, e aponto o que ajustar, inclusive os pontos éticos.

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Fontes: Código de Ética Profissional do Psicólogo (Resolução CFP nº 10/2005), art. 20 · Nota Técnica CFP nº 1/2022 · Resolução CFP nº 9/2024 · CRP-SP: publicidade profissional. Este artigo é informativo e não substitui a orientação do seu Conselho Regional.

Henrique Silva

Henrique Silva é fundador da HenriLabs e especialista em marketing digital para psicólogos em Brasília. Cuida de sites, perfis no Google e no Doctoralia sempre dentro do Código de Ética do CFP.