Psicólogo pode fazer marketing? O que diz o Código de Ética
Pode, e deve, se quiser ser encontrado. O Código de Ética não proíbe a divulgação: ele define como fazer. Veja as regras na prática, com o que pode e o que não pode.
Sim. O psicólogo pode divulgar o seu trabalho na internet, em site, Google, Doctoralia e redes sociais. O artigo 20 do Código de Ética pede nome completo e CRP em toda divulgação e proíbe preço como propaganda, promessa de resultado, autopromoção em detrimento de colegas e sensacionalismo.
"Tenho receio de me divulgar, parece antiético." É a frase que eu mais escuto quando converso com psicólogos sobre presença digital. E faz sentido: a psicologia lida com sofrimento, e ninguém quer parecer que está "vendendo" terapia.
Só que existe uma diferença grande entre fazer propaganda e tornar o seu trabalho encontrável. Quem procura terapia pesquisa no Google, compara perfis e lê sobre a abordagem antes de mandar a primeira mensagem. Se você não aparece com clareza, essa pessoa não deixa de procurar ajuda: ela só encontra outro nome.
O que o Código de Ética diz sobre divulgação
As regras estão no artigo 20 do Código de Ética Profissional do Psicólogo (Resolução CFP nº 10/2005). Ele vale para qualquer meio de divulgação, individual ou coletiva: site, cartão, Instagram, perfil no Google, anúncio.
Em resumo, ao divulgar os seus serviços, o psicólogo:
- Informa o nome completo e o número do CRP.
- Cita só títulos e qualificações que realmente tem.
- Divulga só técnicas e práticas reconhecidas ou regulamentadas pela profissão.
- Não usa o preço como forma de propaganda.
- Não faz previsão taxativa de resultados.
- Não se promove em detrimento de outros profissionais.
- Não propõe atividades privativas de outras profissões.
- Não faz divulgação sensacionalista.
Repare que nenhuma dessas regras diz "não divulgue". Todas dizem como divulgar.
Na prática: pode ou não pode?
| Situação | Pode? | Por quê |
|---|---|---|
| Ter um site com a sua formação, abordagem e público atendido | Sim | É informação profissional, com nome completo e CRP visíveis |
| Aparecer no Google Maps e no Doctoralia | Sim | São meios de divulgação como qualquer outro |
| "Primeira sessão grátis" ou "sessões a partir de R$ 50" em destaque | Não | É o preço usado como propaganda |
| Informar o valor da sessão numa página de perguntas frequentes | Com cuidado | O valor pode aparecer como informação, nunca como chamariz |
| "Supere a ansiedade em 8 sessões" | Não | Previsão taxativa de resultado |
| "Atendo adultos com ansiedade, com Terapia Cognitivo-Comportamental" | Sim | Descreve público e abordagem, sem prometer resultado |
| "A melhor psicóloga de Brasília" | Não | Autopromoção em detrimento de colegas |
| "Especialista em…" sem ter o título | Não | Só vale citar títulos que você realmente tem |
| Conteúdo educativo sobre saúde mental no blog ou no Instagram | Sim | Desde que sem sensacionalismo e sem expor pacientes |
E os depoimentos de pacientes?
Aqui mora a dúvida mais comum. A orientação do CFP sobre o uso profissional das redes sociais (Nota Técnica CFP nº 1/2022) não recomenda o uso de depoimentos, e, se usados, exige consentimento por escrito.
O motivo é simples: um depoimento revela que aquela pessoa é ou foi sua paciente, e isso toca no sigilo profissional. Por isso, no trabalho que eu faço com consultórios, a regra é não usar depoimentos. A confiança vem de outros lugares: uma apresentação clara, a sua formação, a explicação de como funciona a primeira conversa e as avaliações públicas do Google.
Cuidado com as respostas às avaliações do Google. Responder "Obrigada por confiar no meu atendimento, foi um prazer acompanhar o seu processo" confirma publicamente que a pessoa é sua paciente. Prefira respostas neutras, como "Obrigada pela avaliação."
E o atendimento online?
Desde a Resolução CFP nº 9/2024, em vigor desde agosto de 2024, não existe mais o cadastro no e-Psi. Para atender online, basta ter a inscrição ativa no CRP. Você pode, e deve, explicar no seu site que atende online: muita gente procura justamente essa opção.
Como divulgar com ética: um checklist
- Nome completo, título (psicóloga ou psicólogo) e CRP em todas as páginas e perfis.
- Só os títulos, especializações e formações que você tem de fato.
- Abordagem e público descritos com clareza, sem promessa de cura nem prazo.
- Preço, se aparecer, só como informação, sem destaque nem desconto.
- Nenhum depoimento de paciente, foto de atendimento ou caso identificável.
- Nenhuma comparação com colegas ("o melhor", "o único").
- Linguagem acolhedora e sem sensacionalismo ("transforme sua vida", "fim da ansiedade").
- Respostas neutras às avaliações, sem confirmar quem é paciente.
Divulgar bem é cuidar de quem procura ajuda
Uma pessoa que decide começar terapia, muitas vezes depois de adiar por meses, precisa encontrar alguém e sentir segurança para mandar a primeira mensagem. Um site claro, um perfil completo no Google e uma apresentação honesta não são "marketing agressivo": são uma forma de facilitar esse primeiro passo.
O que o Código de Ética pede é que essa divulgação seja verdadeira, sóbria e respeitosa. Dentro dessas regras, há muito espaço para você ser encontrado pelo paciente que mais combina com o seu trabalho.
Quer saber se a sua divulgação está dentro das regras?
No diagnóstico gratuito, eu analiso o seu site, o seu perfil no Google e o Doctoralia, e aponto o que ajustar, inclusive os pontos éticos.
Quero meu diagnóstico gratuitoFontes: Código de Ética Profissional do Psicólogo (Resolução CFP nº 10/2005), art. 20 · Nota Técnica CFP nº 1/2022 · Resolução CFP nº 9/2024 · CRP-SP: publicidade profissional. Este artigo é informativo e não substitui a orientação do seu Conselho Regional.
Henrique Silva é fundador da HenriLabs e especialista em marketing digital para psicólogos em Brasília. Cuida de sites, perfis no Google e no Doctoralia sempre dentro do Código de Ética do CFP.